| Cenário IrreconhecÃvel |
| NotÃcias |
| Escrito por Reportagem: Felipe Lima / Fotos: Roberto Esteves |
| Sex, 28 de Janeiro de 2011 22:19 |
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“É um dos locais mais atingidosâ€. O chefe da equipe de Socorros e Desastres da Cruz Vermelha Brasileira (CVB), Fernando Costa, notifica. Aparentemente, quem chega a Petrópolis pouco sente os sinais de destruição na região até chegar a um dos seus distritos, Itaipava, e adentrar por suas ruas estreitas. O acesso à cidade apresenta um fluxo intenso em certos trechos e desperta a atenção de quem passa pela serra, há casas escondidas na vegetação, em locais onde se imagina como foram construÃdas. Parte da causa, as construções em locais de risco, no dia 11 de janeiro, teve uma conseqüência, a destruição significativa de inúmeras habitações. Longas feridas no morro saltam à visão de quem passa e, ao se avistar a placa que sinaliza: Proibido acesso ao Vale do Cuiabá. ![]() Ao penetrar no vale, os indicativos são mais que visÃveis, são odorÃferos e sonoros. Pilhas de roupas, objetos pessoais e móveis na entrada das casas; um odor acre por todo o local e um silêncio que indica a ausência de pessoas. Nota-se que a reconstrução e a limpeza das residências já começaram, ou, inicia os primeiros passos: a remoção dos entulhos e a lavagem dos poucos locais não destruÃdos. Aos poucos, funcionários da Prefeitura trabalham com caminhões e escavadeiras em ordem ascendente. A equipe da CVB trabalha na região desde os primeiros dias, colocando em prática, áreas do seu conhecimento técnico em situações inéditas, como o tamanho e a força da enchente. ![]() Ao longo da estrada de terra, em direção a parte final do vale, a poeira se eleva dos carros. Um cachorro morto, cercado por moscas, demonstra o perigo sanitário ao longo do rio, o coordenador da equipe de Socorros e Desastres, Jorge Roberto Vieira, relata que é comum o surgimento de doenças como cólera, hepatite e dengue. Uma longa ponte de ferro está retorcida em mais de 45 graus, os pilares, soterrados; raÃzes de bambu, difÃceis de se remover, conforme explica Vieira, estão soltas em longos chumaços, as margens do rio, que não distavam mais de 4 metros , se alongaram. O assoreamento alterou o traçado antigo, outro carro está enterrado no centro do local. ![]() Rafael da Rocha Silva, socorrista da CVB, trabalha no sÃtio mais arrasado, no fim a estrada. Nesse dia, encaminhava uma equipe reforçada com um cão farejador, 8 km acima do morro, para a procura de corpos, trabalhando desde o dia seguinte a catástrofe, conta: “a procura as vÃtimas está mais fácil, porque tem varias máquinas nos ajudando. O efetivo, de Bombeiros e Cruz Vermelha, também é grande. Esse cão farejador está ajudando bastante, só ali perto do haras Boa Esperança, semana passada, ele achou seis corpos, e ontem, mostrou onde tinha mais doisâ€. ![]() Objetos aleatórios nas longas pilhas de escombros sugerem a antiga função do cômodo. Uma bolsa com esmaltes, CD’s infantis e cadernos escolares indicam um quarto em que habitavam crianças. Trabalhando em conjunto com o Corpo de Bombeiros, a CVB salva um cão que dormia na cama do aposento. A medida dos escombros quase atinge o teto, cenário que se repete em outras moradias. As que desapareceram levadas pela água, não deixaram nenhum vestÃgio. O tenente do Corpo de Bombeiros, Glauber Pereira Rodrigues, fala sobre o trabalho na procura de mortos: “é a falta de referência, falta de pessoas que sobreviveram e que possam falar quem morreu, quem já conseguiu sair, a gente tem que partir praticamente do zeroâ€. Tudo indica que há pessoas no lugar, sobretudo, o cheiro dos corpos em decomposição.  Um homem caminha sozinho na região, João Luiz Ferreira, irmão de uma moradora do Vale do Cuiabá, relata o que viu: “no relatório da minha irmã, quando ela viu que estava piorando mesmo, viu que muitas árvores caiam repentinamente, isso tudo foi destruÃdo em 20 minutos, a água subiu, destruiu tudo e baixouâ€. Na parede de uma residência condenada, um relógio de parede a pilha indica um horário 3h40, horário da inundação.
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| Última atualização em Sex, 28 de Janeiro de 2011 22:19 |
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