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Na trilha dos voluntários
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Escrito por Reportagem: Felipe Lima Fotografia: Roberto Esteves   
Seg, 24 de Janeiro de 2011 00:59
 Às 9h30 do último sábado, 22, o chefe da equipe de Socorros e Desastres da Cruz Vermelha Brasileira (CVB), Fernando Costa, reuniu em um círculo um grupo de trilheiros que dirigem veículos 4x4 para passar as instruções e tarefas do dia, organizou e revisou as normas de segurança e, antes de tudo, ressaltou e agradeceu a iniciativa das pessoas. Saindo do alto da serra de Teresópolis o comboio de seis carros off road, somado aos técnicos e voluntários da CVB, tinha como missão entregar cestas básicas e materiais de limpeza e higiene a comunidades afastadas da região. Antes da partida, o comerciante e voluntário Bruno Gonçalves Guimarães, que organizou os amigos de trilha, falou: “Arrecadamos aproximadamente 30 toneladas, são 20 carros no total, uma parte está percorrendo Teresópolis, uma Petrópolis e a outra Areal. A expectativa é continuar um trabalho que nos surpreendeu, vendo o povo brasileiro solícito e unido, sem conhecer ninguém, sem saber esperar o que vai encontrar, na ideia de poder ajudar, só issoâ€.

Fotos - Roberto Esteves


O caminho para a área rural de Teresópolis, em direção a Sebastiana, possui logo no início sinais de destruição na estrada, para aqueles que não haviam passado pela região após as chuvas do dia 11 de janeiro, um carro soterrado por um barranco que beira o asfalto, mostra a magnitude da tragédia. Um homem que cerca a margem interpela a todos para avisar, “três pessoas morreram, uma era minha sobrinhaâ€. Adiante, postes quebrados dependuram fios elétricos que chegam ao chão (evidência da falta de energia na região), homens trabalham com escavadeiras para afastar longas camadas de terra, o solo ainda úmido dificulta a passagem de alguns carros, porém, sem comprometer a primeira entrega dos donativos.


A parada seguinte é em Vieiras. Prontamente, o coordenador da equipe de Socorros e Desastres José Roberto Vieira, previne a todos sobre a necessidade do uso de máscaras, a cidade foi uma das mais atingidas. A enchente do rio paralelo à avenida principal, causou um cenário de destruição que dificilmente pode ser descrito e, a margem da água, que contínua alta pelo assoreamento, mostra que uma nova precipitação pode inundar a área rapidamente. Uma casa pintada de marrom pela lama que subiu mais de dois metros é agora apenas a lembrança do que foi um bar, que indica sua antiga finalidade apenas pela pintura no teto do imóvel, pelas garrafas espalhadas ao lado e a caixa registradora que foi cuspida pela janela. As casas ao lado estão habitadas por entulhos, restos de móveis e objetos dos antigos moradores. Vieira fala, “foi uma guerra sem bombaâ€.


“O perigo está no arâ€. Fernando Costa, alerta: “as pessoas estão suscetíveis a uma série de enfermidades, entre elas: dermatites, doenças de peles, leptospirose e hepatite da água represada em alguns locais. Se você se corta, se você se machuca, tem chance  de contrair tétano e uma série de doenças. Existem algumas doenças respiratórias que aparecem tardiamente, problemas de conjuntivite, toda essa poeira carrega uma série de elementos patogênicos, os moradores estão expostos a tudo isso. De certa forma, a população já começa a se proteger, começa a procurar vacinas e informações. É sempre uma preocupação, mesmo utilizando equipamentos de proteção individual, dependendo da área que ela esteja trabalhando, pode ser um risco. Um dos trabalhos da Cruz Vermelha atuar nessa prevençãoâ€.


O próximo trecho do trajeto é o mais complicado para os veículos 4x4, em direção a Pilões, o caminho foi aberto recentemente, em diversos trechos, a passagem é feita unitariamente, sendo que, a terra afastada pelos tratores ainda está molhada. São caminhos que foram assistidos nos últimos dias somente por helicópteros, o que justifica o voluntariado dos trilheiros. Inúmeras vias ainda estão interditadas, postes inclinados apresentam perigo a quem passa, os técnicos da Cruz Vermelha  Brasileira avaliam algumas passagens feitas por moradores, como a pequena ponte que liga os moradores a Escola Municipal Rosa Amarela, um dos pontos de apoio na região.


“É um trabalho de formiguinha, casa por casaâ€. Quem fala é o publicitário, Paulo Henrique da Silva Martins, experiente em escaladas, ele apóia a Cruz Vermelha Brasileira  na região desde a última quinta-feira, e diz: “A intenção é ajudar. Sem os carros 4x4, que foram extremamente importantes, a gente não teria como chegar. Na semana passada, vieram aqui, no mesmo lugar, e não conseguiram passar.


O arquiteto Luis Fernando Duarte resumiu a ação do dia: “eu achei extremamente positiva, na medida em que pode prestar uma assistência através desses veículos especiais, que são veículos que atingem áreas que não são acessíveis a qualquer outro veiculo e com isso nós podemos contribuir e aumentar a percepção da população a respeito desses donativos e da distribuição desses donativosâ€. Alinhado a filosofia da Cruz Vermelha Brasileira, Bruno Gonçalves Guimarães, que havia conversado com a reportagem no início do dia, fez um depoimento no encerramento do trabalho, e falou: “eu acho que as pessoas deviam fazer mais, muita gente tem esse tipo de carro e não usa, está aí à oportunidade de usar, é muito simples e tranqüilo. Para quem está recebendo, não importa a forma como chega, pode ser de helicóptero, de carro, a pé, de carroça ou de trator. Fomos hoje e vamos continuar amanhãâ€.


O voluntariado é um dos princípios fundamentos da Cruz Vermelha Brasileira e o atendimento das necessidades emergenciais da população em uma situação como a ocorrida nas serras fluminenses é um dos focos principais da entidade. O Presidente da Cruz Vermelha Brasileira, Walmir Moreira Serra, ressalta: “O papel do voluntário é importante, é relevante, é imprescindível. É ser o socorro que a pessoa encontra naquele instante que precisa e necessita de ajuda. Ser voluntário é dar o sangue, é dar a vida, é dar ajuda. Oferecer dignidade na hora do socorro, esse é o grande papelâ€.


Assessoria de Comunicação da Cruz Vermelha Brasileira

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Walter Ciglioni

Reportagem: Felipe Lima

Fotografia: Roberto Esteves


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Última atualização em Seg, 24 de Janeiro de 2011 10:54
 

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